sábado, 11 de fevereiro de 2012

Uma fantástica viagem pela Europa no Nordeste brasileiro




Há pessoas que fazem projetos e pretendem realizá-los em um ano ou dois... há os que dedicam-se quatro, cinco ou seis anos em uma faculdade... há ainda pessoas que não fazem projetos. No entanto, é muito difícil encontrar alguém que invista mais de 20 anos em um projeto pessoal, ainda mais sem remuneração - ao contrário, com muitos gastos. Essa é a história de do argeliano Henri Nove-Josserand, de 56 anos. Ele cresceu em Lyon, França, e já morou em países da Europa, da Ásia, até parar na América do Sul... em Petrolina - uma cidade do sertão pernambucano.





Henri poderia ser mais um imigrante qualquer em busca da felicidade no território brasileiro, mas ele se destaca por ter pacientemente empreendido praticamente metade de sua vida em torno do projeto de uma maquete. Isso mesmo, uma MAQUETE! Mais de 700 bonecos, com feições e posições diversas somados a mais de 125 prédios - fora outros 40 que ainda estão guardados em caixinhas - compõem uma cidade imaginária com paisagens de países pelos quais Nove-Josserand viajou: França, Suíça, Holanda e Alemanha. Para tanto, contou com a ajuda de seu filho Jean-Bernard (ou JB) de 24 anos que o acompanhou durante boa parte do processo de criação e montagem.


A cidade é ativa, tem meios de transporte circulando o tempo todo, além de uma indústria de ferro tipicamente alemã, tem um parque de diversões animado com brinquedos em movimento, tem desde um velório até um casamento que está sendo fotografado em tempo real, há também um incêndio que está sendo apagado por bombeiros logo ao lado de um prédio idêntico ao do consulado brasileiro na França. Há uma mistura entre paisagem rural e urbana, entre montanhas com casas suíças até construções que lembram Freiburg (na Alemanha) e que abrigam pequenos bonecos que estariam gravando uma novela. E não se engane ao pensar que talvez essa seja uma proeza de um arquiteto ou um engenheiro: Henri é da área de ciências humanas e línguas ocidentais, fala francês, alemão, mandarim, japonês, inglês, espanhol... "Não precisa ser engenheiro, se você for, claro que ajuda", afirma o construtor da interessante cidade.



Os vagões, carrinhos e maria-fumaças são peças de colecionador que incrementam e dão vida à cidade criada por Henri. Entre os vagões está um suíço da empresa de fast food McDonalds que tem dentro dele bonequinhos fardados atendendo aos clientes e entregando embalagens de batatas fritas. A peça é feita de material semelhante ao de trens utilizados para transporte humano e pesa um pouco mais que os vagões de plástico. Sobre o vagão, o franco argeliano conta: "É raríssimo! Eu comprei e o vendedor disse: 'Eu tenho os personagens e a luz e coloco pra você'. Eu perguntei quantos ele tinha e ele disse 'Só um'. É exclusividade. Quando comprei era Natal de 2001, eu acho".

Outra peça que chama atenção é um carro alemão de entrega de garrafas da Coca Cola dos anos 1950 - uma verdadeira relíquia para quem gosta de colecionar! "Também tem que pesquisar, tem que comparar antes de comprar uma coisa, tem que ver o material", explica Henri, que comprou alguns trens de segunda mão, e pesquisou muito na internet sobre onde e por quanto comprar algumas peças de sua maquete.


A maquete viajou por diferentes continentes e hoje é exposta no Museu do Sertão, em Petrolina-PE. Mas, por conta da diferença de clima, o arquiteto amador teve que fazer pequenos ajustes já que, os carros magnéticos, por exemplo, enferrujaram. "Tudo isso é um trabalho de paciência", complementa.



Sobre os custos da maquete, ele diz que foi gasto muito dinheiro e, muito bem humorado, exemplifica: "Se você perguntar isso pra minha esposa vai me arranjar problemas! (risos)". Ele afirma que algumas das dezenas de máquinas e locomotivas custaram desde 15 a 20 euros, até mesmo 500 euros. "O que é mais caro são os trens. A maria fumaça é uns 500 euros, seria uns mil reais, e com todas as taxas que você tem aqui no Brasil, é melhor nem calcular!".

"Quando você faz isso com paixão... Bom, você faz! Eu também tenho paixão pelas línguas, pela língua japonesa, pela Ásia...", afirma Henri.


Embaixo da maquete há um emaranhado de fios. É preciso mais de um dia somente para fazer as pistas por onde os carrinhos circulam. A todo instante há uma coisa ou outra para ajeitar. É preciso estar atento para que os trens não saiam dos trilhos, não colidam entre si nas muitas estradas ferroviárias... E, assim, Henri acompanha toda a exposição de sua maquete, que está aberta à visitação até 13 de fevereiro de 2012, oportunizando aos curiosos uma viagem acessível a paisagens distantes e ao cotidiano europeu.



E não pense que a maquete está exposta porque já está pronta. Ao contrário, o próprio Henri garante que há muito o que fazer. Ele recebe as crianças e explica minuciosamente o processo de produção de seu trabalho arquitetônico, as feições, as peculiaridades de seus bonecos... que ganham ainda mais vida ao lado das palavras de seu criador.


A visita à maquete custa R$ 5,00 ou 1kg de alimento não perecível para doação.