quinta-feira, 27 de novembro de 2008

II Mostra de Cinema Marginal - 26 a 29 de novembro de 2008 - Teresina-PI

A mistura de cinema de qualidade, pesquisa e provocação

A II Mostra de Cinema Marginal traz uma proposta ousada de exibição cinematográfica em uma capital onde esse mercado ainda não se consolidou

Francisco Aristides de Oliveira Santos Filho é bolsista de Iniciação Científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – pela Universidade Federal do Piauí – e tem experiência nas áreas de História, Teatro, Cinema e Vídeo. Ele é um dos organizadores da II Mostra de Cinema Marginal, que está ocorrendo no período de 26 a 29 de novembro de 2008, na Casa da Cultura de Teresina, a partir das 18h. A Mostra desse ano vem com o tema “Táticas Visuais nos Anos de Chumbo”. Ela é o resultado de pesquisas acadêmicas financiadas pelo CNPq e é coordenada pelo Prof. Dr. Edwar C. Branco (curador da Mostra). A idéia dos organizadores é trazer para o circuito cultural piauiense parte da memória audiovisual brasileira, através de um conjunto de exibições e debates de filmes do chamado Cinema Marginal brasileiro. Produzidas nas décadas de 60 e 70, portanto, sob um sufoco geral no cenário político nacional, as películas em exibição permitem refletir sobre a censura cultural da época e, mesmo, sobre as condições técnicas de realização dos filmes.


1- De onde surgiu a idéia de organizar esta mostra?

Da necessidade de ampliar o circuito de exibição na cidade e dar uma maior valorização à memória audiovisual brasileira dos anos 70, pouco conhecida pelo grande público, que na maioria das vezes fica de fora dos debates ocorridos na universidade sobre o cinema brasileiro. Assim, a II Mostra vem com a finalidade de contribuir para enriquecer e integrar Teresina nos circuitos de exibições cinematográficas nacionais.

2- Em quais eventos vocês se inspiraram na idealização da mostra?

Três nomes devem ser destacados nessa mobilização em dar mais amplitude aos filmes marginais brasileiros no país, que é Vera Haddad, Eugênio Puppo (responsáveis pela Mostra "Cinema marginal e Suas Fronteiras") e Rubens Machado Jr. ("Marginália 70") – no qual estes pesquisadores se dedicam intensamente na divulgação e construção de platéia para o audiovisual brasileiro nesse formato, aqui em Teresina estamos trabalhando nesse sentido, pois eles são de extrema importância nesse engajamento cultural e nos estimulou a estender para cá a circulação desses filmes. Como pesquisadores e amantes do "udigrudi", temos o compromisso de dar ao cenário essa possibilidade de criar Mostras nessa linha, compartilhando os acervos que construímos durante intercâmbios e pesquisa, e debatendo-as no estado.

3- Já que esta é a II mostra, quais são as expectativas de vocês? O que mudou ou o que há de novo em relação à I mostra?

Acreditamos que o público aumente cada vez mais e se interesse em conhecer o cinema nacional na sua fase mais turbulenta e sedutora. O que temos de novo em relação à Mostra anterior é o gás para dar ao público um evento que misture cinema de qualidade, pesquisa e provocação nos debates.

4- Na sua opinião, houve falhas na mostra passada? Quais falhas certamente não serão repetidas?

Acredito que não. Fomos apoiados pelo teatro João Paulo II e, lá, o evento foi muito bom. A intenção é torná-lo sempre melhor.

5- Qual o critério de seleção dos filmes exibidos?

Quem coordena a seleção são os próprios pesquisadores convidados, em articulação com o professor Edwar C. Branco, pois tais filmes exibidos são resultados de pesquisas realizadas durante o ano e seus resultados são compartilhados com o público no pós-exibição.

6- Qual a faixa etária do público esperado?

Acredito que muitos estudantes de várias áreas, tanto do colegial como da Universidade e os cinéfilos que sempre participam de eventos como esse.

7-Qual o perfil do espectador teresinense?

É muito difícil responder isso, devido à particularidade de cada um ao se envolver com o objeto fílmico.

8- Você acha que a raridade desse tipo de eventos em Teresina se dá por falta de interesse do público (ainda conservador em certos aspectos) ou por falta de iniciativa de pessoas ligadas à sétima arte?

Precisamos de estímulo... É preciso construir público para o cinema brasileiro no Piauí e para isso é preciso muito esforço e dedicação. A II Mostra de Cinema Marginal é um caminho que queremos traçar dando a todos os interessados mais uma opção em eventos audiovisuais, com filmes gratuitos e sempre renovando os espaços, proporcionando um novo cenário que descentralize e democratize o acesso a filmes raros como os apresentados, provocando sempre e acima de tudo: fazer de Teresina uma cidade que respire cinema por todos os poros.

9-Já que você mencionou a necessidade de fazer Teresina “respirar cinema por todos os poros”, você acha que o mercado cinematográfico piauiense, de fato, existe?

É evidentemente claro que não existe mercado! Apenas manifestações esporádicas e lentas, que emperram a possibilidade de criar algo na área, sem financiamento, auto-estima e senso de criatividade. O cinema aqui é restrito a pequenos grupos já consolidados...

10-Você acredita que, com o projeto da vinda de um curso de cinema para Teresina, esse cenário pode modificar-se?

No Nordeste, algumas universidades já adotam o curso, mas não é, necessariamente, um "curso" que vai alavancar o circuito aqui na cidade. Acredito eu que cine clubes também gerariam energia suficiente para conscientização entre os interessados em cinema a produzir algo, pois é um excelente espaço de sociabilidade para desenvolver – dentro de seus limites –, o estímulo criador da sétima arte. Somos acostumados a esperar grandes produções e filmes perfeitos... Não é bem por aí que se faz a coisa! Com recursos simples e um razoável programa de edição se constrói vídeos interessantes. Então, não vamos esperar a fantasia de um "curso" de cinema, mas fazer com o que temos: criatividade em usar baixo custo a nosso favor.

11-Sobre o filme "O Guru das Sete Cidades", comente um pouco sobre essa obra que, apesar de pioneira no Piauí, ainda não possui tanta repercussão.

Financiado pelo governo Alberto Silva, em 1972, e muitas outras empresas, esse filme faz parte de nosso cinema comercial da época – que conta a história de "arruaceiros" integrantes de uma seita satanista que vêm ao Piauí se aventurar na terra título do filme, na qual esse grupo possui um "guru" que se envolve com uma bela moça, trazendo uma série de enlaces e intrigas. A falta de repercussão se deve pela falta de cuidado com nossa memória cinematográfica, mas que, em vários espaços, já está sendo exibido com mais freqüência.

12-Apesar da retomada do cinema nacional, parece haver um preconceito do próprio público brasileiro em relação às produções brasileiras. Na sua opinião, isso se deve ao nível de qualidade das nossas produções ou ao modismo de valorização de tudo que é "de fora"?

Acho que já superamos a paranóia pornochanchadesca de que cinema nacional "não presta"! Temos poucas salas de cinema para filmes nacionais, isso é fato, pois o mercado ianque é muito mais forte do que os filmes feitos no país... Mas, apesar de ter um espaço reduzido de exibição e mercado de distribuição, essa lógica vem mudando gradativamente, pois bons filmes brasileiros estão sendo mais reconhecidos pelo púbico (Tropa de Elite, Cidade de Deus, Casa da Mãe Joana, Central do Brasil...)! Apesar de vivermos em booms de produção que se destacam, o cinema nacional vive bons momentos e essa é a hora de aproveitarmos as polêmicas geradas pelos materiais que falam da gente e simbolizam angústias tupiniquins.

8 recados de geladeira:

Lay disse...

O engraçado é que ia fazer uma matéria sobre essa mostra, mas acabou q eu fiz sobre a semana Arnaldo Jabor!
A entrevista tá ótima e mto completa. E é fato q o cinema brasileiro e piauense são pouco valorizados! Uma pena!

Nataliinha disse...

Ai eu adoro cinema nacional .
Tudo bem q tem alguns filmes q não sao mt bons, mas não é pq é brasileiro .
Tem alguns a la HOLLYWOOD q tb não são bons !

Bj bj =*

MARIUS QUIRÓZ disse...

Oi, você me pediu para responder urgentemente as perguntas que deixoou lá no blog. Procurei e-mail teu para responder e não achei. coloquei lá!

Me avisa quando olhar para eu deletar.

Bjo

Lay disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nataliinha disse...

Como eu faço pra responder aquelas perguntas ?
Me manda um email q eu respondo !
nusm86@bol.com.br

Pq eu acho q aqui nem vai dar espaço !

Bj bj =*

Auíri Au disse...

Grande utilidade esse texto/entrevista.
Estou com algo parecido.....
Vou roubar algumas respostas....Hehehehe
Com sua permissão claro..
Pode querida?
Beijos

O Profeta disse...

Faço realização de telefilmes logo...


Doce beijo

Auíri Au disse...

Espero que ainda esteje em tempo.
Respondi e não te mandei. Perdão.
Hihihi

Já tinha visitado alguns. Porém quando entrei no clube da insônia o blog do vocalista do detonautas me encontrei. Entrava todos os dias lá encontrei: contos, textos jornalísticos, poemas, poesias, reflexões....
Como já escrevia a algum tempo, resolvi expor minhas palavras também.
Já recebi vários emails com perguntas peculiares...Hehehe
Sobreviver do meu blog, não necessáriamente, mas das minhas escritas sim.
Abordo nos meus textos desde temas atuais até pensamentos antigos.
Tenho preferência em visitar blogs de pessoas que me acompanham, ou quando acho algum texto interessante.
Em um que se chama "Já?Só se for com você!
Há um perfil não definido. Tem pessoas velhas, novas, brancas, pretas, mulheres, homens.
Sim o extinto clube da insônia.

Beijos