"Mistério teve falsas pistas", copyright Folha de S. Paulo, 1/06/05
"Num período em que o jornalismo americano vive uma já prolongada crise de credibilidade, em parte por causa de dúvidas provocadas por informações transmitidas a repórteres por fontes que permanecem anônimas, um homem na Califórnia se identifica como a mais famosa de todas elas, o ‘Garganta Profunda’ do caso Watergate.
Mark Felt não era um nome estranho nas incontáveis listas feitas ao longo das três últimas décadas por quem tentava descobrir o nome do misterioso personagem que, de acordo com o relato do repórter Bob Woodward, foi fundamental para o desvendamento do episódio que acabou provocando a renúncia do presidente Nixon.
Não foram poucos nem pequenos os esforços para tentar elucidar a questão. Teses foram escritas em universidades, projetos de longo prazo foram realizados por revistas e jornais. Mas até agora não havia sido possível chegar a uma conclusão irrefutável.
Uma das hipóteses que pareciam mais plausíveis era a de que ‘Garganta Profunda’ não tivesse existido. Ele teria sido uma criação fictícia de Woodward para dar mais glamour à sua aventura investigativa. De fato, a primeira versão do livro ‘Todos os Homens do Presidente’ não continha o personagem.
O próprio Woodward enfrentou, ao longo da carreira, ceticismo quanto à fidelidade de suas informações. Ele descreveu em detalhes, por exemplo, diálogos entre o então presidente Nixon e quadros de seus antecessores na Casa Branca não presenciados por ninguém. E relatou entre aspas declarações do ex-diretor da CIA William Casey, supostamente feitas em seu leito de morte, embora Casey nunca lhe tivesse dado entrevista.
Assim, muitos pesquisadores chegaram à conclusão de que ‘Garganta Profunda’ (o apelido vinha do título de um famoso filme pornográfico da época) era uma junção de diversas fontes de Woodward, não uma pessoa real.
Se ninguém vier a colocar em dúvida a palavra do repórter mais uma vez, agora essa é uma teoria conspiratória cujo prazo de validade se expirou definitivamente.
Diversos pesquisadores, jornalistas e críticos vão ter de admitir que erraram. A respeitável Universidade de Illinois, por exemplo, que colocou 40 estudantes e vários professores durante três anos no encalço das pistas que Woodward e Bernstein deixaram sobre o informante em ‘Todos os Homens do Presidente’.
O livro dizia que ‘Garganta Profunda’ era homem, fumava, bebia uísque escocês, gostava de política, já havia conversado com Woodward muitas vezes e lhe passado informações relevantes, entre muitos outros detalhes.
Ao final da pesquisa, a força-tarefa chegou a sete nomes. O de Mark Felt não era um deles. De fato, o grupo chegou à conclusão de que nenhuma pessoa do FBI poderia ser ‘Garganta Profunda’, após ter descoberto o que considerou inúmeras discrepâncias entre os possíveis suspeitos da agência e as características do personagem no livro.
A possibilidade de a fonte ser alguém do FBI foi levantada, entre outros, pelo jornalista James Mann na revista Atlantic Monthly em 1992. Mann listou quatro eventuais candidatos a Garganta Profunda. Felt era um deles, mas aparecia em segundo lugar, após seu superior, L. Patrick Gray.
Outras teorias foram aventadas. A de que o anônimo era alguém da CIA (o jornalista Mark Riebling escreveu um livro para defender essa possibilidade) ou do próprio círculo íntimo de Nixon na Casa Branca (Alexander Haig, chefe da Casa Civil, Henry Kissinger, assessor de segurança nacional, Patrick Buchanan, secretário particular, são alguns dos nomes freqüentemente mencionados nesse grupo). "
Uma pequena resenha do caso...
Uma trama investigativa que se inicia a partir do arrombamento do edifício Watergate (sede do partido democrata), cuja finalidade seria o grampeamento do local. Várias hipóteses são cogitadas para o caso, mas são necessárias várias provas e depoimentos para desvendar o mistério escondido por trás desse incidente, que aparentemente em nada se relacionaria a um perigoso esquema de sabotagem política.
Dois jornalistas, Bob Woodward e Carl Bernstein, assumem o desafio de investigar fatos e pessoas que nem eles imaginam quão importantes são. E não têm consciência do caso no qual se envolveram até descobrirem as primeiras evidências da relação entre os invasores de Watergate e a comunidade da inteligência americana.
Um jogo de riscos, ameaças e poder – rodeado por documentos forjados e dinheiro ilícito. Vale tudo para pré-estabelecer um futuro político americano que independe das urnas. A coação de funcionários, a infiltração, a espionagem e a derrubada desleal de candidatos opositores em paradoxo ao mito da democracia estadunidense.
Falta de escrúpulos e de honra para “reeleger” um personagem destinado à renúncia do mais importante cargo na maior potência capitalista mundial. O jornalismo mostra-se eficiente em seu poder de percepção e investigação num caso onde a própria justiça estava corrompida.
2 recados de geladeira:
Meu Deus, é incrível como o caso watergate ainda rende muito texto. Na minha opinião, esse "garganta profunda" nunca existiu.
A verdade é que, mesmo depois de tantos anos, o watergate ainda não ficou esclarecido em sua totalidade.
É né...
como esse assunto ainda rende e eu acho q vai render mt mais...
beijoss
te amo
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