terça-feira, 23 de abril de 2013

Cursos Online: novos desafios de ensino e aprendizagem

Atualmente, é bastante comum ouvir falar (ou ler) sobre ensino à distância (EaD) e cursos online. Com as facilidades para organizar o próprio tempo, administrar as atividades de acordo com a rotina e realizar cursos e aperfeiçoamentos – antes indisponíveis por questões financeiras ou geográficas – os cursos virtuais estão sendo bastante procurados como alternativa não só para os alunos, mas também para vários docentes. Enxergar as diversas possibilidades que um curso online oferece parece ser mais fácil que perceber as desvantagens que rondam essa nova modalidade de ensino. E é preciso estar atento a isso.
O site Universia Brasil divulgou uma lista de orientações sobre cinco aspectos a serem analisados antes de ministrar um curso online. O site chama atenção para que os professores estejam cientes das características e deficiências desse modo de ensino antes de resolverem se aventurar lecionando via internet.

As ferramentas disponíveis pelo sistema e os recursos tecnológicos são imprescindíveis para a garantia de interatividade. Um curso online adequado às necessidades dos alunos deve oferecer meios de interação que os estimulem e que ajudem no aprendizado. Além disso, o ambiente multimidiático da internet pode tornar-se um aliado, se as ferramentas (recursos que envolvam leitura e audiovisual, por exemplo) forem bem exploradas nas atividades e processos avaliativos.

O contato entre os alunos também é essencial para discussão e disseminação do conteúdo ministrado. Um ambiente colaborativo facilita a comunicação entre a turma e proporciona maiores chances de fixação da matéria.

Além de cobrar uma boa estrutura do sistema no qual será ofertado o curso online, é preciso certificar-se de que o docente tem condições de atender às expectativas dos alunos, ofertando e recebendo para avaliação materiais em diversas mídias. É preciso ter um computador que suporte o tamanho dos trabalhos, uma boa conexão e tempo para estar constantemente disponível online para tirar dúvidas.

Se o professor puder oferecer algum recurso ou novidade além do conteúdo básico, haverá maior probabilidade de interesse por parte dos alunos. Mas é preciso lembrar que esse diferencial deve acompanhar uma metodologia de ensino adequada ao contexto no qual o curso vai ser inserido.

Uma boa oportunidade para os estudantes é aproveitar cursos online oferecidos por universidades renomadas ou com experiência nesse tipo de aprendizado. É interessante que os professores também comecem como alunos desse tipo de curso para identificar as dificuldades às quais seus futuros alunos estarão propensos.

O site Cousera, por exemplo, reúne diversos cursos online bem-estruturados e ofertados por docentes de universidades de boa reputação espalhadas pelo mundo. Há cursos para diversas áreas de interesse e de formação, e há possibilidade de interação com pessoas de várias partes do mundo nos fóruns. Em geral, a maioria dos cursos não exige pré-requisitos além do conhecimento em língua inglesa – idioma no qual está disponível todo o site.



Mais artigos disponíveis no site do Processocom.

domingo, 21 de abril de 2013

Discórdia entre Jornalismo e Academia: Projeto de dissertação sobre Valesca Popozuda causa alvoroço midiático



No dia 18 de abril de 2013, o portal G1 publicou uma matéria sobre uma estudante que conquistou o segundo lugar em um processo seletivo de mestrado na Universidade Federal Fluminense (UFF) com um tema aparentemente (aos olhos dos meios de comunicação) inusitado, trazendo como foco do projeto a figura da funkeira Valesca Popozuda. A notícia teve grande repercussão em redes sociais como Facebook e foi também abordada no Jornal do SBT, com uma matéria e um comentário feito por Rachel Sheherazade.

O projeto de mestrado de Mariana Gomes, que tem como título “My pussy é poder – A representação feminina através do funk no Rio de Janeiro: Identidade, feminismo e indústria cultural”, traz como objetivo fazer desconstruções relacionadas ao funk e, mais especificamente, às músicas de cantoras como Valesca Popozuda e Tati Quebra Barraco. No entanto, o que circulou na mídia foram críticas ao projeto e a apresentação de uma “recém abertura acadêmica” para acolher objetos como o da estudante da UFF.

O G1 pontuou que fatos como a classificação do projeto sobre cantoras de funk no mestrado e a escolha da cantora Valesca para patronesse de uma turma de graduação (também na UFF) “indicam uma abertura na Universidade Federal Fluminense para um assunto que nem sempre foi acolhido pelo mundo acadêmico”. O portal tratou os fatos supracitados como se essa abertura fosse algo extremamente novo, desconsiderando que não faz tão pouco tempo assim que o funk (e diversos fatores atrelados a ele) vem sendo estudado nas universidades, seja enquanto fenômeno estético ou como fenômeno de compartilhamento na rede, seja quanto à sua visibilidade nos meios de comunicação ou quanto aos fatores socioculturais nele imbricados. 

É preciso admitir que ainda existem conservadorismos, preconceitos e segmentações no espaço acadêmico, mas não se pode deixar de levar em consideração as inúmeras pesquisas que vêm sendo desenvolvidas no país. Pesquisas sobre funk, cultura e muitas outras temáticas geralmente alheias às atenções dos jornalistas têm tido abertura não somente na UFF, mas em muitas instituições de educação. Nos programas de pós-graduação em ciências da Comunicação do Brasil, por exemplo, não faltam projetos criativos e inovadores, e, apesar de alguns acadêmicos ainda utilizarem métodos conservadores em suas pesquisas, não podemos deixar de ressaltar o salto qualitativo das pesquisas no sentido da abrangência e da ampliação quanto ao conceito de cultura e às abordagens das questões sociais. A própria estudante Mariana Gomes visitou bailes funk para subsidiar seu trabalho de conclusão de curso sobre o funk e a sociabilidade da classe trabalhadora no Rio – intitulado “Melancia, Moranguinho e melão: frutas estão na feira - A representação feminina do funk em jornais populares do Rio de Janeiro".

Já no Jornal do SBT, a matéria jornalística foi bastante crítica, trazendo uma “entrevista na rua” (com uma só pessoa) dizendo que a nota da seleção para a estudante aprovada deveria ser zero, em virtude de sua temática. Mesmo trazendo falas da estudante sobre a necessidade de livrar-se de amarras e preconceitos, de tentar enxergar o que os movimentos culturais (como o funk) mostram para a sociedade e para os estudos relacionados à cultura, o que vemos é uma matéria estereotipada. Ao trazer as falas da cantora Valesca sobre a sua suposta imagem feminista, a matéria não cita nem sequer relaciona essa imagem à pretensão da estudante da UFF em desconstruir a ideia de um funk como grito feminista.

A jornalista Rachel Sheherazade, após a matéria, ainda fez um infeliz comentário no Jornal do SBT. Ela mencionou que a popularização das universidades levou também a uma popularização dos temas de teses e dissertações, como se isso fosse ruim ou prejudicial à academia. A jornalista critica o funk, de acordo com suas preferências musicais – o que já faria com que o comentário deixasse de ter qualquer caráter jornalístico, já que “fere de morte os ouvidos” da apresentadora. O profissional de jornalismo, de acordo com o que aprendi (e ainda estou aprendendo) na universidade e no mercado de trabalho, não pode falar de “verdades universais” ou da “opinião dos leitores” balizando-se apenas em sua opinião particular.

Se a jornalista acha um absurdo considerar o funk como “manifestação cultural” e argumenta que “cultura é tudo que o povo produz do luxo ao lixo”, tanto ela está errada ao se colocar fora desse “povo”, dessa sociedade da qual ela também faz parte, como está errada em generalizar absolutamente tudo enquanto bem cultural. Mas é certo que não é ela (ainda bem!) quem decide o que é ou não cultura no Brasil.

Se Sheherazade classifica a contemporaneidade como “final dos tempos” porque “funk é tão cultura quanto bossa nova”, mal sabe ela o que é cultura e que o final dos tempos começou há mais de 30 anos para muitos teóricos. Cultura não é mais um elemento social divido criteriosamente em cultura popular, cultura de massa e cultura erudita. E a apresentadora, enquanto graduada em um curso de Comunicação Social, deveria saber que não só a noção de cultura como os objetos de pesquisa e a sociedade como um todo sofrem modificações ao longo do tempo.

A própria jornalista parece que nem entendeu o objetivo do trabalho, que vai estudar, investigar, desconstruir a relação entre feminismo e a performance de cantoras do “naipe” (como Rachel se refere) de Valesca Popozuda – o que não quer dizer que a estudante tenha que ratificar necessariamente essas cantoras como símbolos feministas, afinal, a pesquisa serve para isso.

Se os temas de teses e dissertações tiveram uma ampliação em termos de abordagens e de objetos ao longo dos anos, as relações entre academia e mercado jornalístico não parecem ter se estreitado de maneira dialógica. A academia continua crucificando demasiadamente algumas práticas jornalísticas e teima muitas vezes em focar na produção de um estilo jornalístico arcaico, enquanto o mercado continua referindo-se a determinados estudos como “recentes” e “inovadores”, segundo sua conveniência, na busca por atrair audiência com a “invenção da roda diária” em vez de buscarem informações sobre há quanto tempo determinados temas têm sido investigados em âmbito acadêmico.

Se, desprovida de qualquer pesquisa ou investigação profunda, a apresentadora Rachel Sheherazade abre a boca para dizer que as cantoras de funk estão “anos luz aquém do feminismo”, podemos também aqui afirmar que ela está “anos luz aquém do jornalismo”, porque não sabe diferenciar um comentário jornalístico de um comentário de cunho particular. Seguramente, eu não me arriscaria a criticar e subestimar o projeto de Mariana Gomes sem conhecê-lo a fundo, e me pergunto quem é Rachel Sheherazade para questionar ironicamente se o assunto do projeto aprovado em uma excelente universidade federal teria profundidade para uma dissertação?!

#ProntoFalei

terça-feira, 15 de maio de 2012

Congresso de Jornalismo e Dispositivos Móveis - Chamada de Trabalhos na UBI, Portugal


JDM - JORNALISMO E DISPOSITIVOS MÓVEIS
Universidade da Beira Interior (Covilhã), 15 e 16 de Novembro de 2012

O ecossistema mediático está em permanente mudança devido ao complexo processo de convergência que atualmente decorre. Jenkins (2006) refere que esta convergência se verifica em quatro campos - conteúdos, tecnologias, modelos empresariais e atividade profissional - sendo caracterizada pela existência de conteúdos multiplataforma de media, pela colaboração intermediática e pelo comportamento das audiências na procura dos conteúdos que mais lhe interessam. Neste congresso dedicamo-nos ao campo dos conteúdos, mais especificamente aos que se destinam a dispositivos móveis, como smartphones, tablets e tabphones.

O crescimento da taxa de penetração de banda larga móvel (3G/4G) e o aumento registado nas vendas de smartphones e tablets criou um canal alternativo para distribuição de notícias: os dispositivos móveis. Aguado (2009) considera que a emergência deste quarto écran - depois do cinema, da televisão e do computador - representa uma oportunidade de negócio para as empresas de comunicação, vendo nestes dispositivos uma alternativa à distribuição tradicional de informação jornalística. Este novo ecossistema mediático "push" Fidalgo (2009)caracteriza-se por serem as notícias a procurar os consumidores e não o contrário, como até agora, o que implica desde logo que se repensem as formas de distribuição de informação. Isto leva-nos ao 1º tema:

Tema 1: De que forma os dispositivos móveis alteram as formas tradicionais de distribuição de informação jornalística e que implicações pode ter no conteúdo?
Os dispositivos móveis são uma excelente plataforma de receção devido à sua capacidade de receber informação de cariz multimédia, mas também porque as suas características - como a portabilidade e a ubiquidade - permitem a distribuição global de informação em função das mais diversas variáveis, como a hora do envio, o local onde o consumidor se encontra e as suas preferências temáticas, por exemplo. Tom Ahonen (2009) salienta este lado comercial do novo meio que permite uma eficaz segmentação do Mercado e tem como público-alvo um grupo de utilizadores que já está habituado a pagar pelo acesso a conteúdos (ringtones, música, alertas, apps). Este facto cria condições para a emergência de um novo mercado que tem registado um assinalável êxito, sobretudo no campo das aplicações nativas (apps) A chamada app economy tem crescido de uma forma exponencial e os mercados online - iTunes, o Android Market, o WP7 Market Place, OVI Store e BB App - geraram em 2011 cerca de 15 mil milhões de dólares. O que nos conduz ao 2º tema:

Tema 2: A chamada app economy pode ser uma alternativa à venda de conteúdos? De que forma se pode estabilizar este modelo de negócio?
Mas não basta existirem condições técnicas para que este mercado se torne uma realidade: de acordo com a Nielsen (2010), os micropagamentos (52%) e os sistemas de pagamento simples e seguros (43%) são determinantes para levar os consumidores a pagar pelo acesso a conteúdos. Porém, isso só acontece se os produtos tiverem mais qualidade do que as atuais (71%), explorando as capacidades técnicas dos dispositivos como a multimedialidade, a hipertextualidade, a interatividade, a personalização, a ubiquidade, a memória e a instantaneidade. Tal como referemKaye & Quinn (2010), só apostando na inovação e acompanhando as tendências tecnológicas é possível melhorar a qualidade dos conteúdos, respondendo assim às expectativas dos consumidores. Temos assim o terceiro tema:

Tema 3: Há uma nova linguagem jornalística e novos formatos jornalísticos para estes dispositivos? Que características diferenciadoras devem apresentar?
Este conjunto de questões resume a temática deste congresso. Interessam-nos textos que:  a) ajudem a perceber a forma como as empresas de comunicação estão a aproveitar este novo ecossistema caraterizado por uma receção móvel e pessoal;  b) relatos de experiências no desenvolvimento de linguagens e formatos específicos para estas plataformas;  c) estudos de caso relacionados com o desenvolvimento de apps jornalísticas;  d) análise de dados ligados à distribuição de apps e estudos de modelos económicos usados pelas empresas.

Datas importantes
Entrega de resumos: até 30 de Junho de 2012
Aceitação: 25 Julho de 2012
Entrega de trabalhos completos:  30 de Setembro de 2012


Notas finais

- Os textos devem seguir as normas APA, podendo ser redigidos em português, espanhol ou inglês.
- As propostas aceites serão editadas no livro "Jornalismo para dispositivos móveis", a publicar em 2013.
- A participação é grátis mas requer inscrição


Mais informações no site do congresso.

 
(via Professor Gerson Martins)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Uma fantástica viagem pela Europa no Nordeste brasileiro




Há pessoas que fazem projetos e pretendem realizá-los em um ano ou dois... há os que dedicam-se quatro, cinco ou seis anos em uma faculdade... há ainda pessoas que não fazem projetos. No entanto, é muito difícil encontrar alguém que invista mais de 20 anos em um projeto pessoal, ainda mais sem remuneração - ao contrário, com muitos gastos. Essa é a história de do argeliano Henri Nove-Josserand, de 56 anos. Ele cresceu em Lyon, França, e já morou em países da Europa, da Ásia, até parar na América do Sul... em Petrolina - uma cidade do sertão pernambucano.





Henri poderia ser mais um imigrante qualquer em busca da felicidade no território brasileiro, mas ele se destaca por ter pacientemente empreendido praticamente metade de sua vida em torno do projeto de uma maquete. Isso mesmo, uma MAQUETE! Mais de 700 bonecos, com feições e posições diversas somados a mais de 125 prédios - fora outros 40 que ainda estão guardados em caixinhas - compõem uma cidade imaginária com paisagens de países pelos quais Nove-Josserand viajou: França, Suíça, Holanda e Alemanha. Para tanto, contou com a ajuda de seu filho Jean-Bernard (ou JB) de 24 anos que o acompanhou durante boa parte do processo de criação e montagem.


A cidade é ativa, tem meios de transporte circulando o tempo todo, além de uma indústria de ferro tipicamente alemã, tem um parque de diversões animado com brinquedos em movimento, tem desde um velório até um casamento que está sendo fotografado em tempo real, há também um incêndio que está sendo apagado por bombeiros logo ao lado de um prédio idêntico ao do consulado brasileiro na França. Há uma mistura entre paisagem rural e urbana, entre montanhas com casas suíças até construções que lembram Freiburg (na Alemanha) e que abrigam pequenos bonecos que estariam gravando uma novela. E não se engane ao pensar que talvez essa seja uma proeza de um arquiteto ou um engenheiro: Henri é da área de ciências humanas e línguas ocidentais, fala francês, alemão, mandarim, japonês, inglês, espanhol... "Não precisa ser engenheiro, se você for, claro que ajuda", afirma o construtor da interessante cidade.



Os vagões, carrinhos e maria-fumaças são peças de colecionador que incrementam e dão vida à cidade criada por Henri. Entre os vagões está um suíço da empresa de fast food McDonalds que tem dentro dele bonequinhos fardados atendendo aos clientes e entregando embalagens de batatas fritas. A peça é feita de material semelhante ao de trens utilizados para transporte humano e pesa um pouco mais que os vagões de plástico. Sobre o vagão, o franco argeliano conta: "É raríssimo! Eu comprei e o vendedor disse: 'Eu tenho os personagens e a luz e coloco pra você'. Eu perguntei quantos ele tinha e ele disse 'Só um'. É exclusividade. Quando comprei era Natal de 2001, eu acho".

Outra peça que chama atenção é um carro alemão de entrega de garrafas da Coca Cola dos anos 1950 - uma verdadeira relíquia para quem gosta de colecionar! "Também tem que pesquisar, tem que comparar antes de comprar uma coisa, tem que ver o material", explica Henri, que comprou alguns trens de segunda mão, e pesquisou muito na internet sobre onde e por quanto comprar algumas peças de sua maquete.


A maquete viajou por diferentes continentes e hoje é exposta no Museu do Sertão, em Petrolina-PE. Mas, por conta da diferença de clima, o arquiteto amador teve que fazer pequenos ajustes já que, os carros magnéticos, por exemplo, enferrujaram. "Tudo isso é um trabalho de paciência", complementa.



Sobre os custos da maquete, ele diz que foi gasto muito dinheiro e, muito bem humorado, exemplifica: "Se você perguntar isso pra minha esposa vai me arranjar problemas! (risos)". Ele afirma que algumas das dezenas de máquinas e locomotivas custaram desde 15 a 20 euros, até mesmo 500 euros. "O que é mais caro são os trens. A maria fumaça é uns 500 euros, seria uns mil reais, e com todas as taxas que você tem aqui no Brasil, é melhor nem calcular!".

"Quando você faz isso com paixão... Bom, você faz! Eu também tenho paixão pelas línguas, pela língua japonesa, pela Ásia...", afirma Henri.


Embaixo da maquete há um emaranhado de fios. É preciso mais de um dia somente para fazer as pistas por onde os carrinhos circulam. A todo instante há uma coisa ou outra para ajeitar. É preciso estar atento para que os trens não saiam dos trilhos, não colidam entre si nas muitas estradas ferroviárias... E, assim, Henri acompanha toda a exposição de sua maquete, que está aberta à visitação até 13 de fevereiro de 2012, oportunizando aos curiosos uma viagem acessível a paisagens distantes e ao cotidiano europeu.



E não pense que a maquete está exposta porque já está pronta. Ao contrário, o próprio Henri garante que há muito o que fazer. Ele recebe as crianças e explica minuciosamente o processo de produção de seu trabalho arquitetônico, as feições, as peculiaridades de seus bonecos... que ganham ainda mais vida ao lado das palavras de seu criador.


A visita à maquete custa R$ 5,00 ou 1kg de alimento não perecível para doação.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Impressões da Hungria

Há muito me é cobrado escrever sobre minhas viagens pela Europa. Engraçado que me apeteceu escrever agora, na reta final, durante essa viagem na Hungria. Estou em Balatonfüred - uma das maiores cidades à beira do lago Balaton, na Hungria. A cidade não é muito distante de Budapeste, mas elas são bastante diferentes.

Budapeste
Comecemos por Budapeste, uma cidade encantadora e fantástica. A cidade respira História e cada cantinho conta muito sobre o que os húngaros passaram até tornarem-se o que hoje conhecemos por Hungria. Em geral, podemos encontrar muito na capital húngara sobre os reis e grandes governantes que o país teve, assim como as grandes batalhas que esse território presenciou.

Com muitos museus e alguns castelos (inclusive um deles que é uma réplica do construído na Trnasilvânia - Romênia), a cidade mistura arquitetura antiga com prédios modernos. A parte mais baixa é a antiga "Peste" e a parte mais montanhosa e com altitude mais elevada e irregular é a antiga "Buda". Essas duas cidades foram fundidas para formar o que hoje é a capital do país.

Na parte Buda, podemos ir ao bairro do Castelo, onde encontramos a Igreja de Matthias, cuja arquitetura é fabulosa, mas está em restauração. Conta-se que a igreja, com sua estrutura impressionante, foi construída por um dos mais famosos reis húngaros unicamente para casar com a mulher que amava.

Logo à frente da igreja, há o Bastilhão dos Pescadores - de onde podemos ter uma visão privilegiada do outro lado da cidade. A estrutura do Bastilhão é cheia de colunas e pequenas torres que podem ser visitadas pelos turistas durante o dia. 

Bastilhão dos Pescadores

Descendo pelo Bastilhão, ainda pela região do castelo, é possível entrar no Castelo Real, que hoje é dividido em alguns museus e abriga também em parte de sua estrutura a Biblioteca Nacional. Nos museus, é possível encontrar muitas relíquias do povo húngaro, como achados arqueológicos. Não é possível fotografar dentro do Castelo de Buda.

Ainda em Buda, um pouco mais distante do Castelo, é possível visitar o Forte e a Estátua da Liberdade. A estátua, além de seu aspecto simbólico, fica em uma parte bastante alta da cidade e proporciona aos seus visitantes um belo mirante  da parte baixa de Budapeste e do rio Danúbio.

A praça dos Heróis, no lado de Peste, é um dos mais relevantes pontos turísticos a serem visitados. Lá estão representados muitos dos maiores reis da Hungria. A praça fica em frente à Galeria de Artes e ao Museu de Belas Artes, e também fica próxima à réplica exata de um Castelo da Transilvânia, o Castelo de Vajdahunyad. Este, por sua vez, abriga hoje o Museu Agrícola.

As pontes que cruzam o rio Danúbio são outro espetáculo à parte. Além de possuir um estilo único, feitas em sua maioria por correntes, elas contam muito sobre o período de rivalidade entre húngaros e outros povos. Algumas pontes foram bombardeadas durante conflitos armados e reconstruídas depois.

Além destes, muitos outros pontos turísticos como a Ópera de Budapeste, as igrejas e o Parlamento chamam atenção pela arquitetura rica em detalhes.

Balatonfüred
A cidade de Balatönfured fica há algumas horas (de trem) de Budapeste. É uma típica cidade pequena no inverno, mas incha de turistas no Verão. A cidade costuma receber visitantes a ponto de ultrapassar em dez vezes sua população inicial.

Após muitos conflitos, a Hungria perdeu seu território (desmembrado para constituir países como Romênia e Eslováquia, por exemplo) e seu acesso ao mar. No entanto, ficou com o lago Balaton (o maior do Leste Europeu) - que forma várias "praias" e atrai turistas quando as temperaturas aumentam.

Em Balatonfüred, é possível ver muitas casas de praia e muitas áreas destinadas ao banho. Barcos a vela são facilmente encontrados próximo a uma orla linda que acompanha parte do lago na cidade. A cidade tem várias opções de restaurantes e barzinhos que geralmente só funcionam no Verão. No inverno, parte do lago congela e as temperaturas caem consideravelmente.

Toda a região em torno do lago Balaton tem uma vasta produção de uvas e vinhos bastante apreciados em todo o país.

Tihany
Não muito distante de Balatonfüred, podemos encontrar a cidade de Tihany, também à beira do lago Balaton e com um lago interior. A cidade situa-se em uma semi ilha rodeada por plantações de uva e por alfazemas.

Lá, é possível encontrar a Igreja da abadia, no alto da cidade, onde está enterrado um dos reis da Hungria. A igreja tem uma decoração rica em esculturas e tem um órgão esculpido que impressiona por sua beleza. Do alto do morro onde fica Igreja é possível ver parte do lago Balaton e a cidade de Balatonfüred.

Cultura
A cultura húngara é composta por uma gastronomia de dar água na boca! As comidas são bastante saborosas, a cerveja é um pouco forte, mas também muito boa, e os vinhos são tão bons quanto muitos franceses de renome. Uma das cervejas húngaras mais conhecidas é a Soproni, fabricada na cidade de Sopron. Entre os pratos típicos de maior destaque está uma sopa de legumes e carne denominada Gulash. 

As casas costumam ser revestidas por madeira, por conta do clima frio típico da Hungria.

Outro ponto forte da cultura húngara são as porcelanas produzidas no país. Dependendo da cor e do formato das flores e decoração de cada porcelana, dá para identificar onde aquela peça foi produzida.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Reflexões sobre a galáxia internet de Castells

Manuel Castells contextualiza a evolução da internet enquanto tecnologia de comunicação que transforma o modo de estabelecer o ato comunicativo. O autor é pertinente ao não aventurar-se a fazer previsões sobre o futuro, admitindo a complexidade da percepção do próprio presente. 

É dado um foco mais especial sobre dados e fontes da América do Norte, onde a internet desenvolveu-se mais e onde há mais informação disponível. No entanto, percebe-se que diversos exemplos e conceitos extrapolam a realidade norte americana, mostrando realidades de outros países e continentes e provando quão abrangentes são os efeitos da internet sobre as diversas sociedades atuais.

“A Galáxia da Internet” trata das novas formas de sociabilidade que foram criadas com a internet, das implicações políticas e novas formas de participação de cidadania e movimentos sociais – que leva também à discussão entre liberdade e privacidade em novos modelos de comunicação. Nesse sentido, também podemos despertar questionamentos acerca da esfera pública vs. esfera privada no âmbito do trabalho. Se antes, havia a distinção entre espaço privado (casa) e público (trabalho), hoje há alteração das relações de trabalho – o trabalho é levado para dentro de casa e ameaça a fronteira público-privado antes estabelecida, destruindo o espaço de intimidade –, de forma contrária ao que Walter Benjamin (Passages) colocava: “Para o indivíduo, os lugares de habitação encontram-se pela primeira vez em oposição aos lugares de trabalho. Aqueles vêm a constituir o interior; o escritório é o seu complemento”.

Sobre a modificação quanto às concepções de trabalho, há uma nova noção de emprego, bem diferente da tradicional. Não se pensa mais o emprego enquanto fator que remete à estabilidade, com rigidez de horários. Percebe-se que há uma flexibilidade maior, com trabalhos parciais, temporários, de consultoria e o conseqüente aumento da rotatividade de empregos em curto espaço de tempo.

Na globalização, caminhamos no sentido da simultaneidade, da instantaneidade, da compactação do espaço-tempo que Virilio explica em “A velocidade de libertação (2000). A obra de Castells traz também uma reflexão acerca da noção de tempo e de espaço que é alterada a partir da familiarização com os meios eletrônicos. Distâncias são superadas; o tempo não é mais um obstáculo; o lugar virtual pode ser configurado como “lugar”, diante do sentimento de identidade e pertencimento em relação a uma rede social eletrônica. Ao mesmo tempo, o cotidiano nos mostra a quantidade de tempo que gastamos com media eletrônicos e como isso afeta nossa concepção de tempo e de organização pessoal, de escolhas.

Outro ponto relevante é o da manipulação da imagem. Afinal, até que ponto a tecnologia transforma e tenta manipular conceitos e imagens? Castells coloca seu conceito de “política informacional” (Castells, 1997) para falar sobre a comunicação com o governo via meios de comunicação – que por sua vez influenciam o comportamento eleitoral e a imagem dos candidatos. Também é utilizado o conceito de “política do escândalo” (Thompson, 2000; Rose-Ackerman, 1999), prática que filtra informação de um candidato em detrimento de seu adversário ou produz contra-informação visando restaurar a imagem de um político desagravado.

A obra de Castells é fundamental não só a estudantes e pesquisadores de Comunicação, mas a qualquer indivíduo. Compreender como a internet influencia e está presente na vida das pessoas é primordial para entender o que está ao nosso redor, porque tudo está interligado nessa complexa teia, que é a sociedade em rede, e dela dependemos até mesmo quando estamos off-line.

Na obra “A Galáxia Internet”, um novo ambiente (ou mundo) de comunicação é descrito e contextualizado por Manuel Castells, através de um termo que menciona outra galáxia anteriormente proposta – a Galáxia Gutemberg – por um dos grandes pensadores da comunicação: Marshal McLuhan. A explosão da utilização da internet como sistema comunicativo e como forma organizacional motivou Castells a analisar seu surgimento e sua evolução na sociedade em que vivemos, ressaltando sua influência enquanto tecnologia e prática social.

Apesar de ser recente, essa “galáxia”, como o próprio autor nomeia, trouxe implicações político-econômicas importantes e possibilitou um desenvolvimento tecnológico e cultural sem precedentes. Outro aspecto colocado quanto à história da internet é o surgimento desta tecnologia com propósito de defender informações militares durante a Guerra Fria, e que, posteriormente, vem a ser uma das principais medias interativas e de compartilhamento de informação. 

Os próprios usuários da internet contribuem para a evolução de seus usos e sua realidade, se considerarmos que há interação quando esta transforma a maneira de comunicar – a comunicação baseia qualquer atividade humana –, enquanto os usuários a transformam, utilizando-a para várias tarefas. Ela é o meio pelo qual os usuários se expressam por meio de um código específico, mas não altera nenhuma situação global sem que seu contexto seja modificado previamente.

Na análise da internet sob o aspecto cultural, a obra traz uma interação também entre rede e cultura e diferencia os usuários produtores dos usuários consumidores. São apresentados efeitos positivos e negativos da internet na Era da Informação – espaço ideal para o desenvolvimento da interação e da comunicação, mas também da manipulação –, assim como o impulsionamento da formação de redes em uma nova estrutura social. Esses nós interligados (redes), apesar de antigos na atividade humana, sobreviveram por serem essencialmente flexíveis, abertas e adaptáveis. Diante das modificações pelas quais a sociedade vem passando – e da influência da internet e de outras tecnologias de informação e comunicação, decorrentes da revolução microeletrônica –, as redes deixaram de estar circunscritas ao âmbito da vida privada e surgiu a necessidade de globalizar. 

A internet suplanta a ideia de um media capaz de comunicar de muitos para muitos em um determinado tempo e em uma escala macro: seus usos podem influenciar e alterar todas as áreas da atividade humana. Junto a ela surgem oportunidades e desafios, soluções e problemas, a depender do contexto de cada indivíduo e de como ele utiliza essa poderosa tecnologia. Ainda permanecem na sociedade as relações de poder e, por isso, a internet pode libertar, mas pode também oprimir; ela pode incitar a invenção e a criatividade, mas pode também desencadear insegurança, tendo em vista a possibilidade de criarem-se novos meios de exploração. Se, por um lado, a exclusão tecnológica, atualmente, é uma das piores formas de exclusão econômica, cultural e política do indivíduo, por outro, mesmo com limitações de difusão e com o atraso tecnológico de muitos lugares do mundo, a internet consegue fazer com que seu poder de influência ultrapasse seu número de usuários.

Castells apresenta tanto estudos os quais mostram que a internet não prejudica a sociabilidade dos indivíduos, quanto outros que argumentam sua influência na tendência do isolamento. Mas não se pode negar que a internet propiciou que as comunidades pudessem ser formadas sem obstáculos relacionados ao tempo e espaço. Se antes, fazer parte de um grupo, interagir e poder pertencer a uma comunidade eram fatores condicionados ao espaço geográfico, por exemplo, hoje não haveria mais essa limitação. O autor explica que o domínio de novas linguagens (dos meios eletrônicos) pode favorecer a socialização de conhecimento, mas que isso ocorre de maneira limitada. Manuel Castells adota a definição de Barry Wellman (2001), na qual comunidades são redes interpessoais que levam à sociabilidade, sentimento de pertença, identidade e informação (p.157).

A convergência mediática na internet de outros suportes de media como rádio, impresso e livros também é abordada na obra. Somente através da internet é possível ouvir há milhares de quilômetros de distância um programa de rádio da cidade natal de uma pessoa, por exemplo. É a fusão entre global e local: “a liberdade para ultrapassar a cultura global em busca da identidade local própria é possível graças à Internet, em uma rede global de comunicação local” (p.233).

Quem é responsável pelo controle e orientação desta atividade teccnológica que modifica-se muito mais rapidamente que os sujeitos a ela atrelados? Para Castells, de nada adiantará deixar para o governo, para empresas ou para ONGs a responsabilidade de agir em prol do interesse público, mas cabe a cada indivíduo a incumbência do que faz e do que se passa à sua volta. O autor, porém, ressalta a necessidade das instituições e da representação política através da democracia participativa, pois, é preciso reconstruir as instituições de governo – caso contrário, as redes teriam que ser reconfiguradas em torno dos projetos pessoais de cada pessoa e é impossível viver sem elas.

“A internet não é um instrumento de liberdade, nem é uma arma para exercer o domínio unilateral” (p.197). Castells não defende que a internet oferta liberdade, porque ela “nunca é algo oferecido”, mas pondera que ela é importante para a liberdade de expressão e democratização.

A questão da info-exclusão e da marginalização aos que não têm acesso a esse meio de comunicação, pode ser considerado contraditório ao termo “Era da Informação” e à democratização à qual tanto a internet remete. Castells mostra como a conectividade nos lares cresceu e as diferenças de acesso diminuíram, mas que em alguns locais ainda são muito díspares. A velocidade do acesso (banda larga) também configura como aspecto de desigualdade tecnológica. Um outro fator imprescindível nesta análise é o fato de a maioria dos conteúdos disponíveis na internet estarem apenas em inglês – exigindo o domínio desta língua para sua compreensão.

Fonte: CASTELLS, M., (2004).  A galáxia Internet: reflexões sobre Internet, negócios e sociedade. Lisboa. Fundação Calouste Gulbenkian. 

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Pão e Circo Jornalístico


O auditório estava lotado. Centenas de estudantes esperando por ele – que era “o cara” do jornalismo esportivo, o “bam-bam-bam” das inovações no estúdio e da improvisação na TV.

Quando chega, todas as atenções estão voltadas a ele: bonitinho, loirinho, olhos claros, simpático e sorridente. Entra discretamente, senta em uma das cadeiras reservadas aos convidados e palestrantes no palco e, um tanto sério, abre seu Macbook White, da Apple. 

Logo a feição de seriedade desaba em risos. Ele estava “twittando” com alguns espectadores do auditório, que também estavam conectados à internet. A plateia percebeu logo que o bate papo seria bem humorado, pelas expressões no rosto mais esperado do evento.

Pensei logo que, se fosse deixar para o final da palestra, não conseguiria minha foto com ele. Corri para o palco, enquanto ele era pouco assediado ainda, e tirei uma, duas, três fotos ao lado de um dos nomes mais comentados na minha roda de amigos. É, eu “tietei” por antecipação. Depois de mim, foram um, dois... dez querendo, de uma vez só, uma foto com ele. 

Começa o momento mais esperado: o “grande repórter de jornalismo esportivo do momento” começa a falar de suas experiências (mesmo tão jovem) e de como funciona o sistema de uma grande TV (mesmo estando há tão pouco tempo no mercado). As pessoas estavam concentradas nele, como se ali estivesse um prêmio Nobel em conferência exclusiva a um grupo seleto da humanidade.

Ele contava casos e causos, fazia piadas, relatava histórias... sempre regadas ao bom humor. Mas, no momento mais esperado, quando ele deveria falar de jornalismo com alguma propriedade – afinal, o cara foi um dos responsáveis por uma “revolução” no modo de fazer jornalismo esportivo, ou, pelo menos, era o que se dizia –, só decepção.

O jornalista começa a distorcer todo o básico da profissão e argumentar a falta de ética, baseando-se em princípios empresariais. É nesse momento que, ou você se retira, ou você fica curioso o suficiente pra saber quanto mais de besteira ele consegue falar. E o pior: aclamado por uma grande plateia de futuros comunicadores. 

Quando você ouve coisas do tipo: “Eu saí de jornalismo na PUC porque eu não aguentei", você pensa que o cara só poderia mesmo estar tirando onda com os estudantes. A coisa piora quando ele – formado nos Estados Unidos (grandes coisas!) em Psicologia e um curso similar a Rádio e TV – dispara que estudar gente maluca é legal (?).

Bom, essa é a hora que você tem certeza que está em um show estilo Stand Up Comedy, mas direcionado aos comunicólogos. Como se fosse um showzinho particular direcionado a um público específico. Até porque, só quem é comunicador – e que tem algum respeito pela profissão que exerce ou exercerá – sabe como é frustrante ouvir de alguém inserido e com visibilidade no mercado absurdos como: “Televisão não tem papel de educar. Quem tem função de educar é o governo”. Isso, para justificar a falta de ética e compromisso da emissora na qual essa “celebridade” trabalha. E, quando se pensa que nada pode piorar a situação... a sua consciência é destroçada com os aplausos arrebatados no auditório.

Para um jornalista de renome, a palestra foi incrivelmente humorística – quase inacreditável a qualquer colega de profissão que preze pelo que faz. Mas, de jornalistas engraçados o mercado está cheio, não é mesmo?! Difícil, atualmente, é achar os éticos.

Acaba a conferência e chovem pessoas em cima dele para pedir fotos, autógrafos, abraços, estágio... uma confusão. Quem observava de longe, jurava que era o tumulto de um artista internacional chegando a um show em meio aos fãs.

Cerca de uma hora após a palestra, quando o jornalista celebridade já tinha se livrado do tumulto, descubro que ele está “passeando” pelos corredores da universidade. Estava cercado por alguns alunos (na maioria, mulheres) e seu assessor (ou empresário) estava impaciente. Estavam sabatinando, elogiando, se jogando em cima dele. A preocupação era saber se ele estaria ou não na festa que haveria na praia do hotel onde estava hospedado, se estava acompanhado, se queria conhecer as mulheres da cidade.

Constatei naquele momento como é triste o jornalismo no Brasil. Não porque todos os profissionais sejam incompetentes (de maneira nenhuma!). Mas porque basta aparecer um rostinho bonito, engraçadinho, sem conteúdo, para ganhar a audiência de boa parte dos brasileiros. 

Uma coisa é fazer do jornalismo esportivo um assunto mais leve. Outra, totalmente diferente, é fazer piada com os princípios da comunicação e achar que todo mundo vai engolir e aplaudir como numa política de pão e circo. Pior que, às vezes, isso realmente acontece.