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domingo, 25 de outubro de 2009

Muito além de grande cientista social e jornalista, um visionário que marcou época

Gilberto Freyre

Muito além de grande cientista social e jornalista, um visionário que marcou época

Por Tamires Coelho

Gilberto Freyre nasceu em 15 de março de 1900, em Recife, e, para entender o trabalho que Freyre desenvolveu, é preciso, antes de tudo, entender quem ele era. Com uma história particular, desde a infância, foi uma pessoa apaixonada por cultura, livros e manifestações sociais.

A infância de Gilberto Freyre mostra que ele não seria um menino comum: Gilberto não começou a ler e escrever na faixa etária considerada ideal e comunicava-se através de desenhos. Ele conseguia expor seus pensamentos e expressar seus sentimentos através de suas gravuras e, quando passou a ser alfabetizado, o foi primeiramente em inglês. Posteriormente, ele viria a aprender português e diversas outras línguas.

Em 1918, ainda com 17 anos, matriculou-se na Universidade de Baylor, Texas (EUA). A partir daí, ele começou sua trajetória jornalística, quando começou a colaborar regularmente com o Diário de Pernambuco. Nos Estados Unidos, ele teve contato com novas tendências e correntes teóricas, como a de um jornalismo mais ágil (resultado do processo da Revolução Industrial), com uma linguagem mais objetiva e precisa. Esse contato vai influenciar, depois, no modelo de jornalismo que Freyre vai implantar no jornal A Província e na sua contribuição com o Diário.

Os Estados Unidos, à época em que Gilberto Freyre estudou lá, já era um país com um sistema sócio-cultural muito diferente do brasileiro, especialmente quanto ao seu desenvolvimento tecnológico e avançado quadro da imprensa. O pensador brasileiro encontrou um jornalismo que visava os grandes números e em um contexto no qual sobressaía-se o jornal World, de Joseph Pulitzer – fundamental no estudo do “novo jornalismo” e da “imprensa marrom”. A modernização do jornalismo traz consigo a especialização das atividades, transformando as empresas jornalísticas em termos quantitativos e qualitativos, com inovações técnicas e administrativas.

Quando retorna ao Brasil, Freyre torna-se redator-chefe do Diário de Pernambuco, um periódico com o qual estabelece uma relação de intimidade, a ponto de essa relação explicar a própria relação entre o “Gilberto jornalista” e o jornalismo. Gilberto Freyre publicou nesse jornal de maneira assídua e ininterrupta durante 69 anos, totalizando 2.201 artigos, e foi através desse tradicional meio de comunicação que ele se inseriu na intelectualidade pernambucana.

Gilberto Freyre, em seus posicionamentos políticos, deu margem para que seus estudiosos formulassem hipóteses quanto aos seus usos de mídia. Entre essas hipóteses está o trato da imprensa como palanque de suas ideias, na condição de jornalista ativo; e o uso da mídia como fonte para suas pesquisas. O papel de jornalista ativo e defensor de causas à frente do seu tempo, como da conservação da Amazônia ainda na década de 70, mostra como a imprensa difundiu os ideais desse pensador. A mídia também serviu como fonte para suas pesquisas como cientista social, como, por exemplo, para reunir subsídios que resultariam, mais tarde, em grandes obras como Casa Grande e Senzala, sua obra prima.

O ecletismo de Freyre está expresso não só nas suas produções e ideias, mas também nas suas influências. Como intelectual que era, foi influenciado por grandes e distintos nomes como Eça de Queiroz, Goethe, Joaquim Nabuco, Leon Tolstói e até a Bíblia. A contribuição de Tolstói está muito relacionada ao seu modo de fazer um jornalismo de campo: “Vai ao povo e procura compreendê-lo”.

Como cientista social, Gilberto Freyre dirigiu o primeiro curso de Antropologia Social e Cultural da América Latina. A interferência dessa face de antropólogo e sociólogo é perceptível na sua obra jornalística, especialmente no que concerne à sua defesa do jornalismo de campo em detrimento do jornalismo de gabinete. Ele mesmo dizia: “Jornalismo de campo é o verdadeiro jornalismo!”. Mesmo com tantas ideias inovadoras para a sua época, todos os estudiosos o conhecem como grande escritor e sociólogo, mas poucos associam Freyre ao jornalismo.

Para o professor Fernando Mota, de Ciência Política - Universidade Federal de Pernambuco-UFPE, um dos grandes estudiosos de Gilberto Freyre, cuja tese de doutorado, inclusive, é voltada ao escritor, sociólogo e jornalista pernambucano, Freyre foi muito pioneiro em seu trabalho. “Já nos anos 30, em Casa Grande e Senzala (sua maior obra), ele já trata da preservação, do desequilíbrio da monocultura da cana-de-açúcar”, explica o professor da UFPE. Mota atribui o estilo límpido, claro, objetivo e didático de Freyre escrever suas obras à atividade jornalística que ele desempenhava.

O professor Mota acrescenta ainda o trabalho do escritor, que também fez parte da Academia Pernambucana de Letras, em antecipar questões sociais. Fernando Mota explica que Freyre, quando volta dos EUA, traz inovações do jornalismo de lá e faz comparações entre a cultura brasileira e a norte-americana, amadurecendo ideias para a obra Casa Grande e Senzala.

“Muitos escritores vivem de emprego público, em universidades. Intelectuais, geralmente, não ganham dinheiro escrevendo. Gilberto já desenvolveu essa consciência profissional. Ele sobreviveu escrevendo”, acrescentou o docente pernambucano sobre as peculiaridades e inovações de Gilberto Freyre.

Um aspecto interessante que esse estudioso coloca é a característica narcisista de Freyre, o que pode ser observado inclusive nas próprias palavras do cientista social e jornalista: “Já fiz n’A Província algumas das coisas que desejava fazer. Seu noticiário é hoje o mais exato, o melhor, da imprensa do Recife, e talvez do Brasil”. Gilberto Freyre se considerava um grande intelectual, um gênio e o reconhecimento dessas características em outras personagens resultavam em conflitos e desafetos, como ao escritor modernista Mário de Andrade, que, na opinião de Fernando Mota, foi o maior rival de Freyre.

Apaixonado por livros, por cultura e até mesmo por receitas culinárias (as quais lhe serviram de base para o livro Açúcar), Gilberto Freyre colecionou uma verdadeira biblioteca, na sua casa em Apipoucos, Recife. Muitos volumes literários são dedicados às manifestações culturais recifenses, pernambucanas, nordestinas, e de outros países. Estudioso ligado ao regionalismo, fazia muitas críticas às correntes modernistas, que, aos seus olhos, eram apenas a injeção da cultura e arte européias no Brasil, desconsiderando o vasto conteúdo a ser explorado na própria cultura brasileira, sobretudo nordestina.

Muitos estudiosos de Gilberto Freyre consideram que, apesar da importante contribuição no Diário de Pernambuco, o maior feito jornalístico dele foi a fundação do jornal A Província. Nele, Freyre exercitou, experimentou, inovou e teve contribuição de muitos intelectuais renomados como Manuel Bandeira. Foi a grande aventura nos campos do jornalismo para ele, que foi diretor do impresso entre 1928 e 1930, até a Revolução de 30 impedir sua circulação e Freyre ser exilado.

A Província foi um jornal concebido para ser inovador e dentro de parâmetros até então desconsiderados importantes como o afastamento econômico com o Estado. No próprio jornal, ele publica poucos artigos: apenas 75. Aspectos estilísticos como clareza e objetividade foram aplicados neste impresso. O uso de uma linguagem mais flexível e objetiva, mais simples, era apenas reflexo da percepção de que a comunicação estava passando por um processo de massificação e dinamização. Freyre, nesse sentido, concebe o processo comunicacional não apenas centrado no emissor, mas também dependente da recepção.

Foi Gilberto Freyre o primeiro idealizador de um manual de redação jornalístico, denominado Placard. Ele trazia orientações aos jornalistas para uma escrita correta e clara, de maneira simples. Esse manual era uma folha de papel, com regras, afixada no mural da redação do jornal. Ao passo que era simples, ele também trazia normas de orientação sobre como trabalhar com o público – o que é outro aspecto que fortalece a ideia de preocupação com o leitor, por parte de Freyre. Ao se preocupar com a qualidade e o estilo do texto, ele se antecipa em mais de 70 anos às orientações de manuais conceituados como o do Globo, do Estado de S.Paulo e da Folha, que trazem consigo ainda as orientações propostas por Gilberto Freyre. O primeiro manual não teve êxito imediato mas foi um dos principais alicerces sobre os quais se firmou o jornal impresso A Província.

Em 11 de março de 1987, o intelectual crítico e irônico que ainda escrevia no Diário de Pernambuco decide transformar sua residência em uma espécie de memorial, para, definitivamente, ficar marcado na história. A casa de Apipoucos, que foi, anteriormente, uma casa grande de engenho, torna-se a Fundação Gilberto Freyre. Um mês depois, ele começou a ter complicações de saúde.

Até na sua morte, Gilberto Freyre traz consigo fatos curiosos. Ele morreu às quatro horas da madrugada de 18 de julho de 1987, aniversário de sua esposa, Madalena Freyre. Madalena Freyre só faleceria dez anos depois, e, devido a alusão trágica à data, durante esses dez anos, a viúva de Freyre não comemorou mais seu aniversário de nascimento.

Gilberto Freyre sai de cena fisicamente e entra para a História, como um dos maiores cientistas sociais e jornalistas, inclusive com o devido reconhecimento internacional. Suas obras e sua abordagem social até hoje são atuais. O seu jeito de expor jornalisticamente os fatos é, basicamente, o que os professores tentam ensinar nas salas de universidades.


Comentário pessoal sobre o jornalista Gilberto Freyre:
Gilberto Freyre foi, sem dúvidas, um dos maiores intelectuais que o Brasil tem a honra de elencar na sua história. Ele foi um pensador e, sobretudo, um ator social excepcional! Seu reconhecimento internacional é apenas o reflexo de tudo que ele plantou em vida e na eternidade – a partir de suas obras imortais. Sua face como jornalista, apesar de pouco explorada, não é por isso menos importante: o criador do primeiro manual de redação e estilo para jornalistas, desde cedo, preocupou-se em como os fatos seriam compreendidos pelo receptor. Talvez seu caráter narcisista se devesse a um intelectualismo tão apurado, a ponto de reconhecer a si mesmo como um visionário – a partir de um balanço de seus feitos para contribuir com a Comunicação Social, que por muito tempo não se importou com o “social”. O seu estilo sedutor e simples de escrever e de conseguir apaixonar o leitor conquista fãs até hoje, porque sua obra é atemporal e traz uma análise que, mesmo que não contemple muitos aspectos importantes para alguns críticos, não pode ser desconsiderada jamais, por trazer de modo pioneiro visões inéditas quanto à construção social brasileira. A linha tênue entre as características próprias de cientista social e as de jornalista contribuiu visivelmente para as obras de Freyre nos dois campos do conhecimento.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Geraldo Azevedo: um ícone cultural visita o Piauí

Geraldo Azevedo, um dos maiores artistas nordestinos e brasileiros, cantará em Campo Maior, nesta quinta-feira (30/04). O festival de gastronomia e eco-turismo, o 1º Sabor Maior, trará o cantor como principal atração em sua programação artístico-cultural.

Geraldo Azevedo é reconhecido internacionalmente pelo seu ecletismo e versatilidade, estando entre os maiores compositores brasileiros. Sua carreira está firmada na fusão de culturas e estilos diversos e suas composições e melodias atraem fãs de muitas gerações. O artista, muito acessível e bem-humorado, me concedeu uma entrevista exclusiva na tarde desta segunda-feira (27/04).

Tamires - Você já fez muitos shows no Piauí?
Geraldo Azevedo - Já sim... Já fiz muitos shows, principalmente em Teresina. Mas mesmo com muitos shows, fui a poucas cidades. Já fui àquela cidade arqueológica linda, São Raimundo Nonato... Já fui várias vezes em Picos, várias vezes mesmo... Já me apresentei em cidades piauienses próximas a Petrolina, já fiz shows em Parnaíba...

Tamires - Qual a sua impressão do povo piauiense?
Geraldo Azevedo - Como eu sou de Petrolina, uma cidade no interior de Pernambuco, eu acho tudo muito parecido (risos). A minha cidade é quente, muito quente. Eu acho que a gente tem uma identidade muito grande, principalmente por ser vizinho. A gente tem uma cultura parecida. No Piauí, eu me sinto em casa!(risos)

Tamires - Qual a sua expectativa de cantar no Sabor Maior, em Campo Maior nesta quinta-feira?
Geraldo Azevedo - Bom... como é um lugar que nunca cantei, é uma expectativa diferente... Até o nome da cidade é lindo! Eu não conheço a cidade, mas, no Piauí, sempre as pessoas gostam muito da minha música, sabem as letras, acompanham em coro as canções... Eu adoro tocar no Piauí, vocês tem uma energia muito boa. O piauiense é um povo muito, muito musical!

Tamires - Há emoção maior em cantar em um festival nacional, ou em cantar em um festival nordestino, como o Sabor Maior?
Geraldo Azevedo - Olha, a gente canta e não mede bem isso. Eu tenho recebido um público muito carinhoso, muito atencioso... E cada lugar tem os seus prazeres, tem a sua surpresa... Pra mim, o importante é cantar e ter quem me ouça cantar... Eu não sei em relação a outras atrações, mas eu vou adorar estar lá (no festival) para mostrar a minha música.


Tamires - Você será a atração mais esperada do evento. Você pode contar um pouco do que você reserva, em termos de repertório, para a apresentação?
Geraldo Azevedo - É mesmo?! Eu não sabia (risos)... Bem, eu vou cantar os clássicos, como Dia Branco, Táxi Lunar... e algumas músicas novas do trabalho mais recente, mas principalmente as clássicas! O pessoal sempre pede as que eles sabem a letra e o ritmo... pra poder me acompanhar. O público já espera algumas músicas. Acho muito bom celebrar a vida cantando. A música é uma coisa muito marcante.


Tamires - Aproveitando que o Sabor Maior tem destaque na gastronomia, qual é a sua comida típica preferida?
Geraldo Azevedo - Agora você me pegou!(risos) Eu gosto de tanta coisa... Não dá nem pra dizer do que eu gosto mais... De cada lugar eu gosto de uma coisa. De cada região, eu tenho comidas que gosto. Eu sou um boca boa (risos)! Pra você ter uma idéia, eu gosto de comida italiana... Até de comida integral eu gosto! Já disse: sou um boca boa, mesmo!

Tamires - O seu último álbum se chama ‘O Brasil existe em mim’. A sua música primeiramente fez sucesso regional para, então, ser reconhecida nacionalmente. Você se considera um exemplo para outros artistas regionais?
Geraldo Azevedo - Procuro fazer um trabalho regional, valorizando o que é nosso. Eu acho que toco melhor do que canto. Sei que já influenciei muitas pessoas, principalmente que tocam violão... até pelo meu trabalho de resistência, persistência... Nessa nova geração, eu devo ter influenciado alguns artistas, assim como muitos artistas que vieram antes de mim me influenciaram. Espero estar representando bem a música brasileira, a regional... Espero também poder dar minha fatia de contribuição às novas gerações.

Tamires - O seu primeiro DVD será lançado no segundo semestre. Você pode adiantar alguma coisa pra gente?
Geraldo Azevedo - Olha... eu to achando que ainda vai ser lançado no fim do primeiro semestre, no último mês do semestre... Junho, né?! (risos) Mas sendo lançado em junho, deve estar chegando às lojas em julho... segundo semestre. Acho mesmo que é em junho, até porque já tenho outro trabalho gravado, pronto para lançar, sobre o rio São Francisco. Mas este vai esperar um pouquinho até ser lançado.

Tamires - Suas influências vão, desde Luiz Gonzaga até Bob Dylan, passando pela Bossa Nova, com Tom Jobim. Você acha que está nessa versatilidade o segredo do seu sucesso?
Geraldo Azevedo - Eu não sei (risos)... Realmente, eu sou bem eclético. Eu acho que ter muita informação é sempre bom. Isso traz riqueza pro trabalho. Eu escuto muito músicas de vários estilos, fico encantado com algumas músicas africanas, o ritmo deles... Talvez isso seja um passo a frente, me dê uma certa vantagem... Afinal, música é sempre uma coisa universal!

Tamires - No seu CD duplo ‘Raízes e Frutos’ (1998), no disco ‘Raízes’, foram incluídas músicas mais ligadas ao sertão. Você acha que ainda há essa tendência na música brasileira da nova geração – de valorizar o regional?
Geraldo Azevedo - Hoje, é tanta informação... que acho que já não tem tanto essa preocupação... ta difícil... Já se questiona o fim da canção, diante da música eletrônica, do funk... Modificou-se o sentido da canção com o lado romântico da gente, sabe?! A mídia grandiosa às vezes não dá importância... é muita informação, e com a internet, principalmente... Acho que caberia até ao governo estimular mais isso.

Tamires - No seu disco ‘Hoje e Amanhã’ (2000),você gravou nos Estados Unidos, com a participação de músicos norte americanos. Você poderia explicar como essa fusão de culturas é importante para você e para o seu trabalho?
Geraldo Azevedo - Não há dúvida que a troca de conhecimentos é uma coisa muito importante pra gente... de ter contato com outras culturas. Eles tocavam com o maior prazer comigo, as minhas músicas, do meu estilo... Isso foi muito gratificante e me estimulou muito... Mas não eram só músicos norte americanos, tinha um músico latino americano também, era venezuelano, se não me engano. Isso foi muito bom... A fusão de músicas americanas e brasileiras...


Tamires - Geraldo, você tem alguma mensagem final para nos deixar?
Geraldo Azevedo - Vai ser um prazer muito grande tocar em Campo Maior. Como eu nunca toquei lá, será uma nova experiência. É uma janela da cultura que se abre para mim. Será um grande prazer tocar lá, na quinta-feira.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Paixão de Cristo: a grandiosidade surpreendente de um espetáculo afetado pela crise

Mesmo chovendo muito, a encenação do Grupo de Teatro Monte Castelo reuniu milhares de pessoas e contou com uma produção especial

A crise afetou também a cultura: o espetáculo “Paixão de Cristo” do GTMC (Grupo de Teatro Monte Castelo), o mais famoso do gênero em Teresina, conseguiu fazer uma apresentação profissional, apesar da escassez de recursos. A apresentação realizada na sexta-feira santa teve como principais cenas o julgamento de Jesus Cristo, o enforcamento de Judas Iscariotes e a Via Crucis. Os momentos culminantes da dramatização giraram em torno da Crucificação e Ressurreição do homem mais aclamado pelos cristãos.
A noite foi marcada por uma produção atenta e organizada, muita beleza e comoção do público. A platéia gostou tanto do espetáculo, que nem a chuva conseguiu afastar as milhares de pessoas reunidas em frente aos cenários.
O grupo produz o espetáculo há 21 anos, contando, atualmente, com a participação de 200 profissionais. Segundo José Ribamar de Sousa, que interpretou um dos legionários de Pilatos esse ano, é o integrante mais antigo do grupo – está há 19 anos no GTMC. Quando perguntamos sobre as principais mudanças desde as primeiras apresentações do grupo, ele diz “Modificou muito porque, naquela época, nós não tínhamos um espetáculo de grande porte e, hoje, nós temos”. Ele considera o espetáculo do grupo Monte Castelo um dos melhores do Nordeste e que, atualmente, há um público muito grande nas apresentações, “uma fiel platéia”, como ele mesmo denominou.
Veridiane Andrade interpretou Salomé, na quinta-feira, e Cláudia (esposa de Pilatos) na sexta-feira. Ela garantiu que a sexta-feira santa, por ter a encenação da crucificação, morte e ressurreição de Jesus Cristo, e o dia mais importante e esperado. Ela fala que a preparação, para um espetáculo como esse, é principalmente espiritual. Ela também comentou imprevistos como, por exemplo, um colega do grupo que, no primeiro dia de apresentação, torceu o pé e teve que engessá-lo. Veridiane diz que esse foi seu primeiro espetáculo e que se impressionou com a receptividade por parte da platéia: “A receptividade é muito calorosa. Até nos ensaios que a gente vem fazer, vem gente assistir. Teve gente que chorou vendo a gente encenando”.
Dilmo Carvalho, que interpretou Jesus Cristo nos três dias de apresentações do grupo e já está pela quarta vez representando neste papel, disse que fazer Jesus é difícil: “porque Jesus é uma pessoa polêmica e provocava uma sensação nos poderosos que eles tinham medo de ele tomar o seu poder. E isso levou à morte de Jesus”. Sobre os rituais de preparação, ele afirma que há a preparação espiritual, mas a do corpo é também imprescindível e chega a exigir práticas de educação física e academia. Dilmo afirma que não é fácil carregar a cruz, que pesa 40 kg, e ficar em cima dela por um período de cerca de 30 minutos.
O cenógrafo do grupo, Luis Tito, a preparação iniciou-se desde janeiro de 2009 e foi necessário buscar patrocínios que viabilizassem a produção cujo orçamento ficou por volta de R$ 100 mil. “Infelizmente, tivemos apenas 10% da verba que o espetáculo precisava para ser realizado”, disse ele referindo-se aos cortes que o governo fez diante da crise econômica.
Esse ano, o evento foi prestigiado por autoridades como o governador do Piauí, Wellington Dias, e pelo deputado João Madison. W.Dias disse que parte da verba havia sido liberada na quinta-feira anterior à semana santa e que, medidas de corte foram tomadas como forma de adequação do Piauí ao novo cenário econômico.
O governador também afirmou que o que pode ser observado no Monte Castelo é uma profissionalização cada vez maior, e recordou a forma improvisada das primeiras apresentações, que não contavam com muitos recursos, não tinham cenários adequados e o figurino era também improvisado – o que difere da infraestrutura do grupo hoje. Ele afirmou que fica muito feliz e orgulhoso com o resultado das escolas de teatro piauienses que, segundo ele “dão show”.
Wellington garantiu que os eventos culturais do estado estarão entre as prioridades do governo, mesmo diante da crise, e que todos os eventos programados acontecerão. Mas advertiu que os projetos novos terão que aguardar a crise para entrarem em ação.
A Polícia Militar informou que não foi registrado nenhum tipo de violência até o 3º dia de espetáculo. O que pode ser constatado, no entanto, foi que, na sexta-feira, houveram muitas brigas nas ruas adjacentes aos palcos, inclusive com pedras e garrafas sendo arremessadas por alguns elementos. Algumas testemunhas saíram do espetáculo com medo e afirmaram que as brigas estavam relacionadas a drogas.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Nelsinho Baptista elogia e demonstra satisfação em relação à equipe rubro-negra

O Leão venceu, facilmente, a Cabense na noite desta quarta-feira. Nelsinho Batista, técnico da equipe, ficou satisfeito com a atuação do Sport - que goleou de 5x0 no estádio Gileno de Carli. Apesar de os gols so terem saído no segundo tempo, o Sport mostrou um bom futebol durante toda a partida. E não era esperado menos da equipe líder e invicta do Pernambucano 2009.

- Foi uma vitória importante, em que fizemos muitos gols e não sofremos nenhum, conseguimos o resultado com tranquilidade. No primeiro tempo tivemos muitas oportunidades e não finalizamos, então no intervalo disse que a equipe deveria atuar da mesma forma, mas melhorar nas finalizações - comentou o treinador leonino.

A Ilha do Retiro, neste domingo, sediará mais um clássico Sport x Santa Cruz. A disputa promete fortes emoções, já que o Leão da Ilha é o primeiro colocado e o Santa está em terceiro (apenas atrás do Náutico). Mesmo com uma colocações próximas, a pontuação dos dois times se distancia em 6 pontos.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Radiohead emociona e, literalmente, dá show em SP!

A banda Radiohead fez, nesta noite de domingo (22/03), mais de 30 mil pessoas realizadas em um show na capital paulista. Mais de uma década e meia após lançar Pablo Honey, álbum de estréia da banda britânica, foi o primeiro show paulistano na carreira deles.
Radiohead encerrou o Just a Fest em uma noite que contou também com as participações de Los Hermanos e Kraftwerk. O show começou às 22h e a banda presenteou o público com duas horas e quinze minutos inesquecíveis.
A apresentação contou com sucessos como Karma Police, Fake Plastic Trees e Creep, além de outras músicas mais recentes do álbum In Rainbows. E, é claro, as estruturas de som e iluminação provaram que vale a pena pagar um preço (relativamente) alto por uma produção de altíssima qualidade. As luzes alternavam-se, junto às imagens do telão, de acordo com a ordem de cores do arco íris - em uma clara alusão ao álbum In Rainbows - além de efeitos como a simulação de gotas de chuva caindo ao passo que Thom Yorke cantava Paranoid Android, do álbum Ok Computer (1997).
O fato de a platéia ter se mantido comportada durante o show revelou muito mais perplexidade e fascinação por parte do público, do que insatisfação. Até porque é quase impossível prevermos a reação que o carisma de Thom Yorke e a musicalidade de sua banda provocam nas pessoas.
É preciso reconhecer quão raro é encontrar uma banda de rock progressivo dos anos 70 com arranjos tão elaborados, versatilidade e competência, como Radiohead é, de fato.
Yorke agradeceu de joelhos e, após cantar Everything in its Right Place, recompensou o público ainda presente com o aclamado single Creep (1992). A partir daí, não restava dúvidas de quanto emocionante estava a apresentação: quase 30 mil fãs entoaram a canção a plenos pulmões. Havia êxtase em cada voz eufórica...



Mais informações: música.uol.com.br

terça-feira, 17 de março de 2009

Bem-vindo ao Brasil "democrático"!

Escândalos e descaso são rotina no cenário político brasileiro. Aliás, política essa que não consigo entender... Permeada pela falta de vergonha, corrupção e outras características cuja sonoridade já nos é trivial.
Renan Calheiros, há 4 anos, era acusado de envolvimento com corrupção - e o verbo permanece em correta conjugação: "era", pois nem sequer foi cassado!
Pois bem, o ilustríssimo tucano acima citado foi peça decisiva na triunfal vitória de uma disputa a voto no Senado do nosso "idoLLatrado" ex-presidente Fernando Collor.
Impeachment? Quem se lembra disso? Já se passaram 17 anos - tempo suficiente para reencarnação, na política em exercício no Brasil!
Até o povo parece ter esquecido esse fatídico acontecimento de 1992, já que elegeu Collor "democraticamente" em 2006, para compor o Senado.
Democracia bem aproveitada, não?!
Uma mansão de 5 milhões de Agaciel Maia não foi declarada entre seus bens... Novidade?! Que nada! Seu irmão João Maia escondia nada menos que um avião bimotor!
Quer dizer, "escondia" é jeito de expressar-se... porque o deputado federal é bem solidário com seus colegas de Congresso e o empresta frequentemente.
Mal de família?! Diria que é, na verdade, apenas o desvio de caráter comum à maioria dos nossos políticos...
NOSSOS porque os elegemos, mas que pela maioria votante não fazem nada!
Agora, experimente um pai de família, Classe Média, esquecer-se de declarar um terreno baldio, - quase esquecido porque não tem dinheiro para construir nada nele - para ver se não sofre rígidas consequências...
A lei é válida para alguns, apenas...
Os políticos deitam e rolam com o nosso dinheiro - que deveria ser tão nosso quanto os impostos que somos obrigados a pagar...
Mas de quem é a culpa?
É do governo, do país, da política, do capitalismo?
NÃO!!!
É minha, sua e de todos os que se dispõem a votar em pessoas despreparadas e sem vergonha!

Você pode não ser capaz de mudar tudo, mas não estrague o pouco que você pode fazer!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Passam os carnavais... o resto fica!

Perfeição

Legião Urbana

Composição: Renato Russo

Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos covardes, estupradores e ladrões...

Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo e nosso estado que não é nação...

Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...

Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...

Vamos comemorar como idiotas a cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais...

Vamos celebrar nossa justiça, a ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre e todos os impostos, queimadas, mentiras e seqüestros...

Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia e toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...

Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...

Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...

Vamos festejar a inveja, a intolerância, a incompreensão
Vamos festejar a violência e esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada...

Vamos celebrar a aberração de toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror de tudo isto com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar a estupidez de quem cantou essa canção...

Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!...